Não é de hoje que remédios para emagrecer despertam interesse da população. A perda de peso é um processo complexo e nem sempre o tratamento clássico, dieta e exercício físico, surte o resultado esperado. As novas medicações para emagrecer se tornaram uma via eficiente e mais rápida para te ajudar a perder os quilos indesejados.
Muitas celebridades nas redes sociais transformaram essas medicações em verdadeiras “poções mágicas”. Isso fez com que ficassem populares e muito procuradas nas farmácias.
O fácil acesso às medicações gera um grande problema, a automedicação. Essas medicações têm indicações claras em bula, desenhadas após anos de estudo. Portanto nenhuma medicação deve ser usada sem prescrição e acompanhamento médico.
A nova geração de medicamentos para a obesidade representa um divisor de águas no tratamento dessa doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamento. O tratamento medicamentoso da obesidade em conjunto com estratégias de estilo de vida, é recomendado, pois aumenta a eficácia do tratamento.
Como qualquer outra doença crônica, a manutenção da eficácia dependerá da manutenção do tratamento e é esperado que a recuperação de peso ocorra caso o tratamento medicamentoso seja abandonado.
A indicação de um tratamento medicamento deve ser feita por médico capacitado, levando em conta indicações, contraindicações, tolerabilidade e expectativas do paciente, não se baseando apenas no IMC, mas sim em vários aspectos que devem ser tratados em consulta.
Infelizmente, o alto custo da medicação impede que seja usado pela maior parcela de nossa população, que não tem acesso a esses medicamentos para obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os principais medicamentos utilizados para tratamento da obesidade são: Saxenda (liraglutida), Ozempic (semaglutida), Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida).
Atualmente, é o único medicamento da nova geração comercializado no Brasil com liberação para o tratamento da obesidade. Em 2020, a medicação foi aprovada também para prescrição também em adolescentes de 12 a 18 anos, tornando-se o único tratamento para obesidade aprovado para faixa etária no País.
Nosso organismo produz naturalmente um hormônio responsável pela saciedade, conhecido como GLP-1. Essa medicação age de forma semelhante ao GLP-1, proporcionando um aumento da saciedade e, consequentemente, uma redução da ingestão de alimentos, motivo pelo qual a medicação leva a perda de peso.

O Saxenda é um medicamento injetável em via subcutânea com aplicações diárias, usado para o emagrecimento de pessoas com obesidade ou sobrepeso, pois ajuda a diminuir o apetite e a controlar o peso corporal. Pode reduzir até 10% do peso total, quando associado a uma dieta saudável e prática de exercício físico regular.
O fabricante Novo Nordisk submeteu o Saxenda (liraglutida), para análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A análise está em andamento para que seja fornecido pelo SUS para o tratamento da obesidade.
Foi desenvolvido para ser usado em conjunto com dieta e exercícios, para tratar pacientes adultos com diabete tipo 2 não satisfatoriamente controlada (quando o nível de açúcar no sangue permanece muito alto). Ozempic é um medicamento injetável por via subcutânea com aplicações semanais e os efeitos adversos, mais comumente relatados foram gastrointestinais: principalmente náuseas e vômitos leves a moderados.
A semaglutida simula a ação do GLP-1, hormônio produzido no intestino que regula a glicemia (nível de açúcar no sangue) e as respostas da saciedade ajudando no emagrecimento.

No momento, apenas a formulação com dose máxima de 1,0 mg por semana, está disponível no Brasil. Assim, o uso da dose de 1,0 mg para tratamento da obesidade é considerado off-label ou “fora de bula”. Atualmente a ANVISA aprovou o princípio ativo para obesidade na dose de 2,4 mg por semana (Wegovy), porém ainda não esta sendo comercializada.
O principal estudo sobre a semaglutida indicou perda média de 14,9% do peso total em 17 meses em pessoas obesas. Mas os ensaios clínicos usaram a dose máxima do Wegovy (2,4 mg de semaglutida), e não a do Ozempic (1 mg de semaglutida).
Uma das fases da pesquisa comparou os resultados dos dois medicamentos apenas em pacientes com diabetes tipo 2, que naturalmente perdem menos peso. Quem aplicou 2,4 mg de semaglutida por semana perdeu, em média, 9,64% do peso total; enquanto aqueles que receberam 1 mg perderam 6,99%.
A semaglutida na dose de 2,4 mg é aprovada para obesidade em diversos países no mundo. A administração é subcutânea em doses semanais e os principais efeitos adversos são as náuseas e vômitos.
O Wegovy foi aprovado para o tratamento da obesidade pela ANVISA, em 2 de janeiro, com base nos estudos de segurança e eficácia do programa Semaglutide Treatment Effect in People with Obesity (Efeito do tratamento com semaglutida em pessoas com obesidade). Tem previsão de chegada ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2024.

Da mesma forma que o Ozempic essa medicação simula a ação do GLP-1, hormônio produzido no intestino que regula a glicemia (nível de açúcar no sangue) e as respostas da saciedade ajudando no emagrecimento.
Este medicamento é indicado como coadjuvante à redução de calorias e aumento da atividade física em adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) inicial maior ou igual a 30 (obesidade) ou maior ou igual a 27 ( sobrepeso ) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada com o peso.
O principal estudo sobre a semaglutida 2,4 mg indicou perda média de 14,9% do peso total em 17 meses em pessoas obesas.
Foi aprovado pela ANVISA, mas ainda não tem previsão de comercialização no Brasil. Nos Estados Unidos, onde é comercializado o custo ainda é bastante alto, cerca de 2 mil dólares por caneta. Esse medicamento para emagrecer ganhou destaque devido ao seu potencial de eliminar o peso corporal.
Ele é um duplo agonista, o que o diferencia do Ozempic e Wegovy (semaglutida), usado para tratar a diabetes tipo 2 e que tem a perda de peso como um efeito secundário positivo observado em pacientes. A tirzepatida age nos receptores de dois hormônios cruciais no intestino: o GLP1 (peptídeos do tipo glucagon 1) e o GIP (polipeptídeo insulinotropico). Dessa forma, eles promovem a melhora dos níveis de glicose no sangue e a redução do apetite, levando à perda de peso gradual.

O Mounjaro é administrado por meio de injeção subcutânea com aplicação semanal e é indicado para o controle dos níveis de glicose em adultos. Estudos mostram que, em alguns casos, a perda de peso pode chegar a até 20% do peso corporal, embora efeitos colaterais como náuseas, diarreia e constipação possam ocorrer.
Sim. Estes medicamentos podem ser associados ao tratamento do reganho de peso ou perda insuficiente de peso após a cirurgia bariátrica, desde que o paciente retorne ao acompanhamento multidisciplinar do pos-operatório e inicie atividade fisica regular.
Cada caso precisa ser avaliado individualmente durante a consulta. Precisamos saber qual o excesso de peso, as doenças e se há alguma contraindicação. Porém, esses medicamentos podem ser combinadas com procedimentos por endoscopia sem a necessidade de cirurgia , como o balão gástrico. Isso poderá potencializar os resultados de perda de peso durante o tratamento.
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